Nem tudo é o que parece
O texto de Moran foi muito pertinente para que fizesse uma reflexão até sobre mim mesma: “será que até eu também não esteja distinguindo real e virtual?” Pois é, eu que critico tanto os reality shows da vida, talvez também esteja participando de um deles. Será que confundo divulgação com exibicionismo? Será que estou sendo “eu mesma” ao compartilhar frases, opiniões, links e fotos? Ou me preocupo sempre com o que os outros vão pensar de mim? Questões essas sobre as quais todos deveriam refletir, principalmente os adolescentes, pois é na adolescência que a busca pela atenção torna-se uma questão até de sobrevivência.
Querer saber da vida dos outros e se autopromover é um mal intrínseco do ser humano, que sempre precisa de atenção, precisa aparecer. É-se “feliz” quando alguém quer saber de você, quando te dá atenção, aliás, o que os adolescentes mais buscam nesta idade, a atenção, a popularidade, a necessidade de suprir suas carências. Por isso, deixam-se levar por essa avalanche de informações, de sites de relacionamentos como twitter, blogs, orkut, facebook, formspring, etc... fazendo amizades que na verdade não são “reais” ou sinceras, ou confundindo o próprio “ser”. Um ser virtual e não real. Veem-se vários scraps de um amigo que diz “eu te adoro” no orkut, mas que não dá nem “oi” quando cruza com o suposto “amigo” numa rua.
Conheci pessoas que eram de um jeito virtualmente e de outro realmente. Talvez eu também tenha sido vista pela internet de uma forma bem diferente do que sou na realidade. Depende do olhar de quem vê ou do que a pessoa quer parecer sendo vista. E é isso que é necessário que os adolescentes de hoje em dia percebam, que nem sempre se é o que parece, ainda mais quando se é visto por este monitor que distorce o “ser”. Podemos até fazer a comparação com artistas de TV, quantas vezes não se ouviu dizer: “ele e completamente diferente do que aparece na TV”. Pois é. Surge uma tecnologia que “engana” e ainda que, em vez de aproximar, afasta as pessoas. Como diz Moran, preza-se a quantidade de amigos pela qualidade, o que não deveria acontecer. Ou buscam-se admiradores ou fãs em vez de amigos.
Depois de refletir sobre nós mesmos e até que ponto esta tecnologia influencia em nosso e ser e em nosso agir, acredito que seja hora de buscar ajudar de alguma forma nossos adolescentes a se redescobrirem e a notarem que o que importa são os sentimentos e valores de quem realmente nos amam e não as aparências. Um bom tema a se trabalhar nas escolas.

